Antes de ir diretamente aos para-raios, vale lembrar que o Brasil é o campeão mundial de incidências de descargas elétricas, cerca de 60 milhões de raios por ano. No planeta a estimativa é de 100 raios por segundo. Os grandes centros urbanos estão sujeitos a grandes números de raios por serem considerados “ilhas de calor”, devido às grandes construções e a pouca área verde, favorecendo tempestades. Por isso, é importante uma instalação e manutenção corretas dos para-raios.
Para ficar mais simples de entender como funciona o para-raios, vamos começar pelos próprios raios:
O raio, que é a descarga elétrica, é formado basicamente pela atração das cargas elétricas opostas entre as nuvens (cargas negativas) em relação ao solo (cargas positivas). Esse caminho percorrido, que pode ser tanto da nuvem pro solo quanto do solo pra nuvem, cria uma espécie de deslocamento de ar, fazendo com que ele se esquente demais, provocando uma expansão e produzindo um som, no caso, o trovão. No caso de raios entre nuvens ou dentro de uma única, não há formação de trovões. Um raio pode atingir as incríveis marcas de 125 milhões de volts (tensão elétrica), 200 mil ampères (corrente elétrica, e o fator elétrico mais perigoso) e 25 mil graus celsius. Pra se ter uma idéia, 0,5 ampères é o suficiente para matar uma pessoa.
O para-raios foi uma invenção de Benjamin Franklin no século XVIII. Ele descobriu um princípio físico chamado “poder das pontas”, onde pontas metálicas finas são capazes de favorecer a atração de raios, pois é nelas que mais se concentram cargas elétricas. Veja bem, ao contrário do que as pessoas pensam, metal em si não atrai raio, o que o atrai é a disposição dele na ponta do para-raios. Com isso, o raio é descarregado à terra por meio de um cabo aterrado, onde sua energia é dissipada.
- Como saber se o para-raios é eficiente?
A fabricação e instalação do para-raios deve seguir a norma ABNT-NBR-5419, que trata da proteção de estruturas contra descargas elétricas. Veja um exemplo de instalação correta:
O cabo que vai do captador à terra deve ser instalado com isoladores, de modo que ele não entre em contato direto com as paredes do imóvel. Também é importante observar a base e fixação do mastro pra ver se não há presença de ferrugem. No caso, é indicado parafusos de alumínio ou aço inoxidável. No mais, o dispositivo é bem simples.
Se você tem para-raios na sua casa, prédio ou estabelecimento comercial e tem dúvidas, consulte um eletricista ou um instalador especializado. Com as instalações corretas, você evita acidentes e fica protegido, sem ter com o que se preocupar.
E se você estiver num local aberto na hora de uma tempestade com raios, proteja-se dentro do carro, se for o caso, e nunca procure uma árvore pra se proteger. Se estiver num local muito aberto e isolado, agache-se e não deite-se no chão. O abrigo de maior proteção sempre será um local de construção sólida.
Imagens: Defesa Civil - RJ