22 de março de 2010

Seu Madruga e Mussum, ícones até hoje. Por quê?

Seu Madruga & Mussum Existem fatos que não são simples de explicar, apenas são constatados. Um desses casos é a popularidade que Mussum e Seu Madruga tem até hoje, muito pelas novas gerações, que sequer os viram atuarem em vida, apenas em antigas gravações. Basta fazer uma busca no Google pra ver a quantidade de sites e blogs que fazem referência a esses personagens. Segue abaixo um pouco da história deles:

  • Seu Madruga

seu-madruga2 O ator e humorista mexicano Ramón Valdez (1923 –1988) era quem interpretava o famoso Seu Madruga no seriado Chaves, participação que durou uma década. O personagem é famoso até hoje em vários países, principalmente na América Latina. Ramón era um sujeito simples como seu principal personagem, e muito querido pelo meio artístico mexicano. Morreu aos 64 anos, vítima de câncer, devido ao tabagismo.

  • Mussum

mussum2 Antônio Carlos Gomes (1941-1994) era quem dava vida ao personagem Mussum. Músico, humorista e ator carioca, chegou a recusar o convite a integrar os Trapalhões. Era uma figura carismática, e apaixonado por Samba, tanto que chegou a fazer parte do grupo Os Originais do Samba, grupo que fez muito sucesso na década de 70. Morreu aos 53 anos, após ser submetido a um transplante de coração.

Os dois faziam um tipo de humor sarcástico e politicamente incorreto que atualmente os moralistas hipócritas de plantão não aceitam, mas ao mesmo tempo era um humor inocente e simples, conseguindo a audiência e a simpatia de várias faixas de idade e classes sociais. Talvez pra alguns o carisma ou o talento que eles de sobra possuíam expliquem esse fenômeno que são até hoje, mas acho que vai muito além disso.

O humor do tipo Zorra Total ou A Praça é Nossa, previsível e mecânico, é uma fórmula já ultrapassada, batida. Não adianta querer empurrar goela abaixo no telespectador. Seu Madruga e Mussum além de serem irreverentes, eram personagens questionadores, provocadores, e muitas vezes transgressores, algo que agrada muito às novas gerações, e tudo feito com muita inteligência, sem ofender ou agredir, pois a intenção nunca foi essa. A ironia e crítica social que vinham junto com as frases engraçadas e situações cômicas faziam a diferença.

Torço pra que cada vez mais esses dois mitos sejam lembrados, e que nos faça recordar que um dia existiu esse tipo de humor porque, do jeito que o policiamento moralista anda, será um modelo fadado a extinção…

15 comentários:

Updatefreud Kevin on 22 Março, 2010 disse...

Tudo isso se deve a simplicidade de ambos, como você escreveu em sua postagem muito bem. As pessoas gostam de atores e personagens mais parecido com elas.

Renato on 22 Março, 2010 disse...

Eram os melhores!!!

Valdeir on 22 Março, 2010 disse...

Júnior,

Os atores que interpretavam Mussum e seu madruga tinham um humor espontâneo e verdadeiro. Ao contrário de programas humorísticos popularescos atuais. Por isso esses personagens fazem sucesso até hoje.

Abraços e uma ótima semana pra você.

Iúri on 22 Março, 2010 disse...

Olá Junior,

Realmente eles foram ícones de suas épocas. Acho que contribuiu para isso o humor sem maldade (principalmente com relação à sensualidade) que era feito na época, muito diferente dos programas que você citou.

Abraços.

Rafael Kid on 23 Março, 2010 disse...

Do mussum não sou chegado, mas seu madruga sou fã de carterinha! Tenho o boneco dele, camisetas e muito mais... ele é o cara, aliás, infelismente foi o cara!

Rita Lavoyer on 23 Março, 2010 disse...

Três gerações aqui em casa curtiram e curtem o Chaves, não apenas o Seu Madruga. Realmente, pode passar gerações, mas a 'ironia inocente' que o humor do Mussum e Seu Madruga nos transmitia é incontestável.
Parabéns pelo artigo. Muito oportuno, visto carecermos de programas humorísticos saudáveis e inteligentes em que o atributo necessário do ator é o talento e nada mais.

Guilherme Freitas on 23 Março, 2010 disse...

Os dois são mitos do humor e seus personagens ficarão para sempre na nossa memória. O humor politicamente correto é um saco, pois é repetitivo demais. Gosto de humor negro e politicamente incorreto. ABraço.

Irene on 23 Março, 2010 disse...

Olá, Junior !!!

Gostava muito do Mussum. Para ser sincera, "os trapalhões" tinham uma irreverencia sensacional. Como vc disse, eles tinham um humor natural, espontaneo e politicamente incorreto; era bem mais divertido do que os atuais programas de humor com quadros "engessados" (em outras palavras, nos atuais humoristicos da tv, os personagens falam e fazem a msm coisa em todos os programas; só muda a roupa e o cenário).
Infelizmente, depois da morte do Zacarias e Mussum, "os trapalhões" acabaram. Hj, temos em seu lugar "a tuma do Didi" que, sem pretender ofender ninguém, não chega nem perto do humor irreverente e contagiante dos "trapalhões". Algumas pessoas se perguntam pq "a turma do Didi" ficou tão chata se tem o Didi e o Dedé (antigos "trapalhões") e vc, indiretamente, respondeu a esse questionamento: "a turma do Didi" não tem o msm encanto que os seus antecessores pq o atual programa optou por seguir o padrão de humor politicamente correto e "engessado".

Se cuida !!!

Adelson (Gerenciando Blog) on 23 Março, 2010 disse...

Olá, Júnior!

Vim retribuir sua visita ao Gerenciando Blog e conhecer seu trabalho. Gostei muito da Caixa do Junior!

Este artigo é interessante. Confesso que nunca fui muito fã dos Trapalhões. Mas, assisti todos os episódios de Chave - diversas vezes! risos
Mas, nunca imaginei que o Seu Madruga fosse conseguir esse status de ícone anos depois.

Isso acontece não só com humoristas. Outro exemplo recente é o Chuck Norris, que também ganhou uma fama difícil de entender.

E algo que concordo 100% com você: A Praça é Nossa e Zorra Total são impossíveis de se assistir! É o mesmo que rir de uma piada cujo final já era conhecido.

Um abraço e parabéns pelo blog!

Cleber Luiz on 24 Março, 2010 disse...

Mussum é a cara do povo brasileiro pelo menos a maioria). Gente sofrida e que leva a vida numa boa e sem maldade. Naquela época as coisas eram simples, podia-se fazer apologia a certos vícios como o "mé" do Mussum, fazer certas brincadeiras, sem correr o risco de ser politicamente incorreto. Pergunto: com toda onda de policiamento atual, será que a sociedade melhorou do ponto de vista moral?

Mariana Mauro on 24 Março, 2010 disse...

Olá,
vim retribuir sua vista! Adorei esse post! Adoro até hoje os dois personagens, principalmente, o Seu Madruga! Como bem disse, o tipo de ironia dos dois era um diferencial...
Parabéns pelo blog!
Bye!

Ana Karenina on 24 Março, 2010 disse...

olá júnior

obrigada pela visita ao meu blog.

Quanto ao post eu penso que fazer rir não é fácil e nem sempre depende de fórmulas do que é ideal ou não usar, um dia já gostei desse humor de personagem fixo e ideias batidas onde você já sabe como termina a piada, mas ultimamente tenho gostado de humor mais sutil, estilo stand up, que usa de detalhes do cotiano e analisa sob o ponto de vista lógico mas que você por distração não notava e vira graça porque você pensa: "e não é que ele tem razão mesmo?" é desse humor de cara limpa que estou curtindo mais.
porisso acredito que depende das fases que agente vive, em pensar que já fui baixinha da xuxa e adorava aquela nave e hoje acho a xuxa tão fora de moda, pra vc ver como as coisas evoluem até nós mesmos sem saber como nem porque rs

gostei da sua caixa!

Um abraço :)

Dicas variadas na Web on 15 Abril, 2010 disse...

Esses caras mostraram como fazer humor sem apelação,apenas com a simplicidade e o dom que recebera de Deus.
Parabéns pelo post!

Matheus on 25 Abril, 2010 disse...

Esses 2 fizeram e vão continuar fazendo história...

são únicos, insubstituíveis !

renildo on 02 Janeiro, 2011 disse...

Vários aspectos fazem com que esses dois se aproximem até mesmos dos mais jovens. A forma de se vestir do seu madruga(all star, jeans e camiseta, qualquer semelhança com a forma despojada dos jovens de se vestir...) os vícios assumidos e sua forma despretenciosa, vez por outra romantica,de viver. O jeitão cariocão boa praça do mussum tbm facilitaram sua assimilação e aceitação por parte dos mais jovens.

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