Muita gente acha que “gostar de tudo” é não ter identidade. Na música, por exemplo, a pessoa eclética é uma pessoa que, pra alguns, não entende nada de música. Por isso, muitos dizem que o ecletismo está “matando” a música, não só no Brasil, mas como no mundo todo. Será isso a causa da queda na qualidade?
Eu discuti isso num fórum de uma rede social no mês passado. Segundo a pessoa que iniciou a discussão, a mídia e as pessoas tem culpa nisso, pois se o primeiro fabrica artistas que desenfreadamente misturam ritmos pra se diferenciar, o segundo não tem personalidade pra escolher, e acaba sendo levado pela moda, se tornando uma pessoa eclética e sem personalidade musical.
De certa forma, acho interessante quando um estilo ou tendência influencia outro, desde que não ocorra uma desfiguração. Note que quando digo influenciar, é no sentido de tomar outro gênero como referência. Foi o que aconteceu com o "Samba-Rock". A música black norte-americana deu um suingado interessante ao samba, mas não desfigurou completamente a batida, o estilo em sua essência. E nem “matou” o verdadeiro samba. O samba-rock acabou virando apenas uma vertente. Diferente disso é o "forró eletrônico". Foi completamente desfigurado por uma tendência, talvez por essa "coisa pop" de hoje em dia, e acabou ofuscando o verdadeiro forró, remetente à Luís Gonzaga. Uma coisa tocada sem zabumba ou triângulo, e com um teclado que substitui a sanfona não pode ser chamada de forró, você não acha?
Essa “coisa pop” a qual me referi acabou peculiarmente se tornando uma definição pra tudo aquilo que não se pode definir. Ora é uma tendência, que acabou contaminando quase todos os estilos musicais, vide o pagode, o “sertanejo universitário”, ora se transforma em gênero musical, vide o pop-rock. Se há artistas bons seguindo essa linha, isso já é outra história.
Não acho que o ecletismo esteja realmente matando a música, ou pelo menos não é o grande vilão. O problema também está no imediatismo, na busca pelo sucesso a qualquer preço, na falta de investimento em cultura, na “linha de produção” de pseudo-artistas.
Ser eclético é, acho eu, um direito de qualquer um, até porque gosto musical é muito particular. E também existem boas e más músicas em qualquer gênero. Mas será que o ecletismo é capaz de diminuir o “campo de audição” pra se distinguir o bom do ruim?
A mim, não necessariamente…


11 comentários:
oi belezinha!!! obrigada pela visita.
fujo, de certa forma, da linha do seu texto.
diversidade no gosto musical, pra mim, compreende autores, músicos dentro de estilos não tão populares.
sou amante apaixonada do rock, gosto de alguns autores na mpb e adoro música clássica e erudita. agora, a diversidade, sob meu olhar, entra na preferência sobre músicos do rock, autores da música clássica, e erudita e artistas da mpb. não sou a benfeitora dos músicos, prefiro uns e não gosto de outros. não acredito na unanimidade e não sou o que se pode chamar de boa alma, dentro desse ambiente.
vc toca banjo, então toca um ukulele. banjolele. tem uma foto do george harrison com um, lá no meu texto.
digamos que o banjo seja uma dissidência do ukulele. era o que tocava o george formby.
é isso. beijo.
Olá,
Finalmente alguém que poderia me entender no tocante ao forró que de tão desfigurado buscou ser identificado com a malfadada alcunha de "oxente music", expressão tão nauseante quanto o som que se produz no meio, tentando pegar uma carona no marketing do "axé music", revelando que não só as letras e melodias são imitadas. E da-lhe plágio!
Francamente, só o que esse texto tem sobre ser eclético musicalmente é o titulo.
E se referir à rock como "A música black norte-americana...", cara sinceramente, quando for falar sobre algum assunto procura se informar melhor pra não sair falando besteira.
E sobre o titulo do seu texto, o ecletismo não está matando a música, o que está morrendo são os estilos, e isso por causa da mídia com seus "pseudo-artistas" e as pessoas imbecis o bastante pra crer que só por que aquilo está na mídia é bom.
olá, dei uma passadinha e achei interessante o tema abordado...
hum... sou eclética, mas sou chata ao ouvir as musicas... não consigo botar "goela a baixo" muitos dos ritmos novos, vejo que muitos dos que estão bombando tem mais "jabá" e publicidade do que talento...
acho que ser eclético não quer dizer que se escuta qualquer coisa que está bombando, mas escutar o que está bombando sem refletir se é realmente bom ou não aí já é falta de personalidade.
Júnior,
Não entendo de músia tanto quanto você, mas concordo com suas ponderações. É preciso respeitar o ecletismo musical. Também acho interessante quando um estilo busca elemento em outro. Entretanto, é necessário cuidar para que não ocorra uma perda total das características.
Abração, e ótima semana.
@Jonathan
Cara, em primeiro lugar, sou músico há quase 20 anos. Alguma coisa eu devo entender.
Segundo, se você conhecesse realmente, saberia que o termo "samba-rock" é um termo popular, mas erroneamente aplicado ao estilo. O samba tem batida 2/4, enquanto que o rock tem o compasso 4/4. Impossível associar tecnicamente um estilo ao outro, mas essa vertente do samba ganhou esse nome por causa da moda da Jovem Guarda na época. Um dos próprios criadores, o Jorge Ben Jor, também não aceita essa nomenclatura. Ele se refere ao gênero como "sambalanço"
Terceiro e último, o título sugere ao que eu debati num fórum, e está sim completamente inserido no texto. Sugiro que você releia o artigo.
Abraços, e volte sempre.
Que bom que alguém concorda comigo! Mas, a cada dia que passa tenho mais vergonha de morar num país burro. É isso o que acontece quando vc tem um país miserável, e então, dá um pouco de dinheiro na mão dos coitados e eles começam a desperdiçar com o próprio lixo que os vestem. Fico imaginando... o brasileiro com grana na mão, conseguiria sim ser mais podre culturalmente do que os norte americanos. Nós vamos conseguir ser piores que os americanos! mesmo sem virar uma potência.
Acho que as pessoas esquecem o que é ser eclético. Uma pessoa eclética não é uma pessoa sem personalidade. Muito pelo contrário, a pessoa eclética ela seleciona o que ela julga melhor de cada estilo. Ela não se apega a apenas um estilo. O ecletismo não tem nada haver com o modismo. São campos extremamente diferentes.
Jonathan tem razão, pesquise antes de escrever coisas na internet. Os ecléticos não são pessoas sem personalidade musical, muito pelo contrários. Os ecléticos selecionam aquilo que julgam melhor de cada estilo, ele apenas não se apega a um. O ecletismo nada tem haver com o modismo.
@Yuna C.
Assim como sugerí ao nosso amigo Jonathan, também lhe sugiro que releia o texto. Eu não disse em nenhum momento que o ecletismo está matando a música, simplesmente escrevi o texto em cima do que o forista disse. Estou questionando...
Abraços.
É isso aí Junior Silva... acho que não leram direito seu texto. Você apenas comentou um tema, colocando como titulo a "polêmica" da discussão, e em nenhum momento afirmou isso, deu apenas sua opinião ao final do texto.
Acho que não souberam interpretar corretamente.
E acho que ser eclética significa 'gostar' musicas de variados estilos, independente do motivo. Tipo: tem gente que é eclética pq gosta das musicas q estão na midia independente de estilo e qualidade. Outras, como já foi citado, seleciona as melhores de cada estilo pra ela. Outras que realmente se detém em certos estilos diferentes e tbm excluem outros. Como exemplo desse último caso, eu: Amoo Rock, adoro Rap e hip hop internacional, curto um acustico romântico(que preste, q tenha letra tbm), ás vezes dá vontade de ouvir um pagode(sem a batida do samba).... meio q odeio brega, forró, não gosto de sertanejo, samba... e o resto não me atrai mesmoo!
Então, ser eclético, é ter essa variação e não se deter em apenas um estilo, independente da razão e critério. Não acho q isso esteja "matando a musica", mas acho sim q cada vez tem menos gente com capacidade de reconhecer a boa e verdadeira musica e apreciá-la por ela estar misturada com as 'outras'. A boa musica sempre vai existir, só q com poucos para valorizar a verdadeira exência.
Abraçoo a todoos!
Bia ;)
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