Muito se fala em proibir alguns gêneros de games no Brasil, principalmente os tidos como "violentos". Será mesmo que eles são capazes de influenciar uma pessoa, ou é só mais uma hipocrisia?
Corre no Congresso Nacional um projeto de lei, a
PL 7320/210, do Deputado Federal Alfredo Kaefer (PSDB/PR) que pretende proibir
a produção, importação, comercialização, locação e usos de cartuchos, CDs, DVDs e similares com jogos ou outros aplicativos para vídeo-games e computadores de uso público classificados como violentos. A lei atingiria as lan houses e casas de jogos eletrônicos, sob pena de multa ou detenção. Bom, lançados os devidos dados sobre o projeto, vamos a algumas questões:
- O direito à exposição de ideias
Foi com esse argumento que a justiça da Califórnia, nos EUA, derrubou recentemente
uma lei semelhante de proibição. Ora, muitos partem do princípio que jogos tidos como violentos em exposição a crianças e adolescentes imediatamente influenciam-nos às práticas semelhantes na vida real. Mas por que os pais não poderiam controlar isso, podendo liberar seus filhos a terem acesso, mas usando os próprios jogos como um exemplo reverso, para educar e deixar claro que tudo não passa de fantasia, que tudo aquilo é virtual, e nada pode ser reproduzido na vida real? Me parecem ser leis paternalistas nesse sentido.
- Produção de games geram lucros
É bem verdade que as empresas de games visam lucros, e faturam mais e mais a cada ano, mas pense no quanto isso gera emprego e forma profissionais capacitados para esse mundo do entretenimento. Tanto que no Brasil cresce cada vez mais o número de pessoas que enxergam nisso um futuro promissor pessoal e profissional. O mercado desenvolvedor não é muito grande por aqui, e vários profissionais conquistam a oportunidade de trabalhar fora do país. Imagine se fossem feitos investimentos nesse setor, o quanto de desenvolvedores seriam formados a cada ano, fora o desenvolvimento tecnológico e intelectual que isso traria para o Brasil.
É muito fácil atribuir aos jogos a influência de práticas criminosas, mas quantas vezes você leitor já ouviu falar na mídia em geral que pessoas foram influenciadas a cometer essas práticas devido a eles? Nessa hora, nenhum parlamentar aparece dizendo que quer irradicar o analfabetismo, melhorar o sistema de saúde, acabar com a exploração infantil, fora a instituição família, muito desestruturada e que não educa aceitavelmente seus filhos nos dias de hoje, devido também a essas carências. Parlamentares esses que a cada dia afrouxam leis criminais muito mais importantes, aumentando assim a impunidade, em troca de pura e simplesmente esvaziar cadeias.
Enfim, usar essa proibição como "caça às bruxas" e tentar mostrar que isso é a fórmula mágica para acabar com a violência no país não me parece ser a melhor forma. Isso força o desvio da atenção às principais e reais causas dela. Leis paternalistas como essa "infantilizam" e manipulam o povo. Cabe aos pais ter o direito de decidirem a que os filhos podem ter acesso.
2 comentários:
PROIBIR EM UM PAÍS QUE JOGOS CUSTAM EM TORNO DE R$ 200,00.........PALHAÇADA, BANDIDO AQUI NÃO PARA PRA JOGAR VIDEO GAME NÃO, ALIÁS NEM SABE OQUE É ISSO...
Vamos proibir a cachaça, os jogos de futebol, peladas de finais de semana e namoros pois em determinados casos geram muita violência também. ¬¬
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